Convite para defesa: A RESSIGNIFICAÇÃO DO PERSONAGEM PRÓSPERO DE EDGAR ALLAN POE PARA A MINISSÉRIE A QUEDA DA CASA DE USHER
Data da publicação: 25 de setembro de 2026 Categoria: Bancas de Defesa, Defesa de Mestrado, Estudos da TraduçãoA POET convida para a banca de defesa de Iara Magda Gomes Feitosa, a ser realizada na próxima quarta, 30/09/2026, a partir das 13h.
DISCENTE: IARA MAGDA GOMES FEITOSA
DATA: 30/09/2026
HORA: 13:00
LOCAL: Google Meet (clique aqui)
TÍTULO:
A RESSIGNIFICAÇÃO DO PERSONAGEM PRÓSPERO DE EDGAR ALLAN POE PARA A MINISSÉRIE A QUEDA DA CASA DE USHER
PALAVRAS-CHAVES:
Estudos da Tradução. Tradução Intersemiótica. Adaptação. Edgar Allan Poe.
RESUMO:
Considerando os avanços tecnológicos das últimas décadas, é notório que as pessoas passaram a ter novos tipos de acesso às produções audiovisuais, não ficando restritas apenas às salas de cinema e aos canais de TV. Hoje, pela internet, os usuários têm acesso a filmes, novelas, desenhos animados e séries por meio de plataformas de streaming. Entre essas plataformas encontra-se a Netflix, responsável pela produção e exibição da minissérie A Queda da Casa de Usher (2023), que é a base do corpus principal desta pesquisa. A minissérie destaca-se por ser uma das mais recentes produções baseadas em contos de terror do escritor Edgar Allan Poe e traz, em seu enredo, diversas referências ao universo literário do autor. Criada e dirigida por Mike Flanagan, um importante cineasta do gênero terror, a minissérie divide-se em oito episódios e aborda a história da família Usher, proprietária de uma grande indústria farmacêutica, constituída pelos irmãos Roderick e Madeline Usher e pelos seis filhos e herdeiros de Roderick. Com base nesse corpus, e diante da necessidade de delimitação para a pesquisa, nossas análises partirão da tradução intersemiótica e da ressignificação de um de seus personagens, Próspero Usher, considerando os elementos e símbolos em torno de sua construção, de modo a identificar como os elementos estéticos, técnicos e narrativos de Mike Flanagan atualizam a narrativa de Edgar Allan Poe para o contexto contemporâneo. A pesquisa está fundamentada nos conceitos de Tradução Intersemiótica e Transcriação de Roman Jakobson (1997) e Julio Plaza (2008), articulados à teoria da Adaptação de Linda Hutcheon (2013) e Robert Stam (2006) e, de forma mais específica, às considerações de Patrick Cattrysse (1992) sobre adaptações audiovisuais. Por fim, para o desenvolvimento da metodologia, aplica-se o quadro categorial de análise de Regina Farias de Queiroz (2023), explorando os aspectos de Autoria, Contexto e Aspectos linguísticos presentes na minissérie, acrescido de um complemento autoral composto por dois aspectos de análise: o primeiro baseado na teoria do efeito fantástico de Tzvetan Todorov (2010), sobre a categoria da hesitação; e o segundo sobre a profundidade simbólica da temática da morte e de suas simbologias, com base nas considerações sobre a história da morte de Philippe Ariès (2012) e na análise dos símbolos de Chevalier e Gheerbrant (2016). Os resultados indicam que a minissérie constitui uma reescrita autônoma, convertendo aspectos como a decadência presente no conto em uma crítica ao capitalismo predatório e à crise norte-americana dos opioides. Quanto à ressignificação de Próspero, no plano estético-narrativo, os recursos audiovisuais (como enquadramentos e sons) materializam a tensão e a hesitação do efeito fantástico. Já no âmbito simbólico, reconfigura-se a atitude diante da finitude, da “morte temida” para a “morte interdita”, apoiada na ressignificação da simbologia do recinto, da máscara e da cor vermelha. Conclui-se que a obra retextualiza com êxito a narrativa de Poe, perpetuando sua memória literária na cultura contemporânea por meio de novos tipos de veiculação.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente – JOÃO ALFREDO RAMOS BEZERRA – IFCE
Examinador Interno – 1164502 – SARA DE PAULA LIMA
Examinador Externo à Instituição – ANTONIA DE JESUS SALES – IFCE
