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Defesa de dissertação de Kamila Moreira de Oliveira

18 de fevereiro de 2021

A POET convida para a defesa de dissertação de Kamila Moreira de Oliveira, a ser realizada no dia 19/02/2021 às 11h via plataforma Zoom

Abaixo seguem mais informações sobre a banca e o link de acesso para a sala remota.

Link de acesso: clique aqui

Título do Trabalho
Guimarães Rosa retraduzido: aspectos da mitologia indígena nas traduções de “Meu tio o Iauaretê” para a língua inglesa
Resumo A questão da intraduzibilidade é recorrente nos Estudos da Tradução, frequentemente revisitada nas discussões acerca da tradução de textos literários, poéticos e filosóficos, para ficar com apenas alguns exemplos. Temos assim a formação de um certo ‘paradoxo’ onde, em um extremo, está a ideia de que a tradução é teoricamente impossível e, no outro, de que a tradução é possível devido a uma estrutura universal da linguagem. Partindo das considerações de Ricoeur (2011), Berman (2007; 2009) e Cassin (2018) chegamos, não a um discurso do fracasso da tradução e suas inevitáveis perdas, mas sim ao intraduzível como aquilo que possibilita a permanência do Outro, sua alteridade e multiplicidade de sentidos. A intraduzibilidade se faz presente nesta pesquisa como parte essencial da discussão acerca da obra de Guimarães Rosa, frequentemente descrita como intraduzível, tanto no sentido inter- quanto intra-lingual – isto é, tanto para quem busca traduzi-lo para outra língua, quanto para quem busca interpretá-lo em português. Para esta pesquisa, a eleição do conto “Meu tio o Iauaretê” foi feita com base nos seus aspectos culturais intrinsecamente ligados à mitologia indígena, visíveis principalmente na forma do léxico nheengatu utilizado ao longo do texto. Esta dissertação visa compreender como esse elemento virtualmente intraduzível se manifesta nas traduções para o inglês, realizadas por Giovanni Pontiero (“My Uncle the Jaguar”, 1996) e David Treece (“The Jaguar”, 2001). “Meu tio o Iauaretê” tem como uma de suas principais características o ‘hibridismo’, tanto linguístico quanto cultural, que não se mostra apenas na originalidade do trabalho linguístico com o português e o nheengatu, mas no próprio entrelugar em que se encontra o personagem-narrador, sempre colocado entre duas condições – homem/animal, branco/índio – mas nunca fixado em alguma delas. Perpassando os estudos antropológicos, nos apoiamos em Lévi-Strauss (2010) e Viveiros de Castro (2007) para a reconstrução do metassistema das narrativas mitológicas indígenas brasileiras e ameríndias no qual se encontra a onça/jaguar. Considerando também os recentes estudos sobre a retradução em uma perspectiva sistêmica, como proposto por Cadera (2017) e Koskinen e Paloposki (2019), buscamos não nos deter somente nos textos traduzidos e em seu cotejo com o texto-fonte, mas também dedicar especial atenção ao contexto histórico e político no qual estão inseridas as traduções e a publicação não somente dos contos estudados, mas de toda a obra de Guimarães Rosa traduzida para a língua inglesa. Com a contextualização da tradução de Rosa para o inglês desde os anos 1960, até sua eventual reintrodução no sistema literário desta língua, e com o apoio do contexto histórico e político apresentado por Barbosa (1994), Fitz (2005), Liporaci (2013) e Morinaka (2017), entendemos que será possível compreender melhor as influências sobre o processo de (re)tradução. A partir desta análise, portanto, pretendemos mergulhar nas considerações sobre o papel do Outro no texto e na tradução, e compreender a tradução não como perda ou traição, mas como uma aceitação do intraduzível.
Banca examinadora

Prof. Dr. PHILIPPE RENÉ MARIE HUMBLÉ – VUB (presidente e orientador – Vrije Universiteit Brussel)

Prof. Dr. OTÁVIO GUIMARÃES TAVARES (examinador – Universidade Federal do Pará)

Profª. Drª. Luana Ferreira de Freitas (examinadora – POET/UFC)

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